Intocáveis: Pretty Woman da era Facebook



Nei Duclós, Revista Bula

“Um filme medíocre, meloso, que encanta as plateias porque usa o mito ancestral, o da Cinderela, repete jargões de outros sucessos do cinema, tem a aparência politicamente correta, se sintoniza com comportamentos emergentes e contrapõe migrantes e conservadores numa convivência pacífica e amorosa

O megassucesso francês “Intocáveis” (de Olivier Nakache e Eric Toledano) tem várias sintonias com outro preferido do público: o americano “Pretty Woman” (de Garry Mar­shall). É a sempre bem aceita síndrome de Cinderela, quando alguém muito pobre tem acesso a um palácio, a um personagem rico e pinta um clima que acaba emocionando a plateia e acaba sempre bem. A prostituta (Julia Roberts) contratada como scort pelo multimilionário depredador de empresas (Richard Gere) é, na versão francesa, o afrodescendente (Omar Sy) que é escolhido como acompanhante do ricaço (François Clu­zet) com todo o perfil do nobre europeu, já que não sabemos qual a origem da sua fortuna.

Em ambos os filmes, o personagem carente acaba experimentando um banho de loja e de cultura. Até a cena da ópera é idêntica. A solenidade do evento artístico é quebrada pelo furão ignorante divertido, para espanto da seleta convivência. Há ainda o contraponto óbvio entre o vazio de quem tem di­nheiro e a alegria de viver de quem não tem. Sim, tolinhos espectadores, di­nhei­­­ro não traz felicidade a não ser que entre no circuito alguém que jamais teria acesso a tanta riqueza e faz tudo ficar com al­gum sentido. A grana, enfim, vale para alguma coisa, desde que o emergente traga de suas origens aquele visgo que só a escravatura é capaz de dar com seu rebolado e seu sapateado. E que ganha o olhar complacente dos funcionários bem postos do privilégio, como o gerente de Hotel de “Pretty Woman” ou as secretárias de “Intocáveis”, todos no papel da fada madrinha que incentiva a presença do ungido no baile.”
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